ENSINO SUPERIOR Naomar apresenta hoje balanço de sua gestão em solenidade com presença do ministro da Educação
AMÉLIA VIEIRA
Após oito anos na condução da Universidade Federal da Bahia (Ufba),o professor Naomar Almeida se despede hoje do cargo de reitor. A solenidade de encerramento, marcada para as 9h, no Salão Nobre da Reitoria da Ufba, terá a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad, e do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Naomar Almeida deixa para sua sucessora, Dora Leal, o desafio de consolidar o processo de transformação que vem mudando a cara da Ufba, além do de avançar em pontos considerados frágeis por professores, alunos e servidores.
A análise quantitativa, qualitativa e orçamentária possibilita vislumbrar a metamorfose da Ufba. Para se ter ideia, em oito anos o número de cursos de graduação cresceu 103,6% (de 55 para 112) e o de matriculados aumentou 58,8% (de 17.941 para 28.447).
Um relatório completo com todos os dados será apresentado, hoje, na solenidade.
Em entrevista a A TARDE, ontem, o reitor Naomar Almeida fez um balanço da sua gestão. Mas fez questão de iniciar frisando que os resultados são fruto do trabalho de toda uma equipe. Quando assumiu, em 2002, conta, fez um diagnóstico da maior universidade baiana. Apesar do orçamento zerado, no ano seguinte, 2003, iniciou a interiorização da instituição – foram criados dois campi nas cidades de Barreiras e Vitória da Conquista.
Esse processo de expansão ganhou força em 2004 e 2005, com a implementação de ações afirmativas e a criação da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). Outra marca do primeiro mandato foi a mudança do perfil socioeconômico e étnico. Em 2002, 21% dos alunos vinham da rede pública de ensino. Esse percentual hoje atinge 55% e, dos ingressos por meio das cotas, 65% têm renda familiar inferior a três salários mínimos. “A dívida social era muito grande e o recurso pouco para fazermos a expansão e a inclusão social”, avalia Almeida.
Suplantada a estagnação no crescimento que perdurou por décadas, o segundo mandato, iniciado em 2006, teve como bandeira a reestruturação curricular. O sucesso foi tamanho que o modelo implantado na Ufba ganhou o Brasil.
O projeto Ufba Nova, depois rebatizado de Universidade Nova, foi adotado pelo governo federal, inspirando o Reuni Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. Por meio do Reuni, a Ufba recebeu uma injeção financeira, viabilizando, principalmente, investimentos na estrutura física.
Estão previstos R$ 186 milhões, entre os anos de 2007 e 2012. Atualmente, são 21 novos prédios em construção, número que chega a 56, se somado aos reformados. Entre os últimos feitos está a elaboração de um plano diretor, que nunca existiu, e a aprovação de uma normatização atualizada, visto que o estatuto estava incompleto e datava de 2000, enquanto o regimento era de 1991. “São imprenscindíveis, do ponto de vista institucional”, observa Naomar.
Sucessora
Naomar confidencia que deixa o cargo de reitor “com a sensação de dever cumprido”. Enumera os avanços mas reconhece que a reestruturação gerou novas demandas a serem enfrentadas por sua sucessora, a professora Dora Leal Rosa, doutora em Educação pela própria Ufba. Entre os desafios, ele aponta a internacionalização da Ufba e a modernização administrativa. Dora sabe que a tarefa é árdua, mas garante que está com a agenda pronta.
“É preciso implantar uma reforma administrativa que dê suporte à expansão que ocorreu e avançar na educação a distância”, ela indica. Ampliação dos corpos docente e técnico-administrativo e adoção de novas práticas gerenciais estão entre as metas da nova reitora.
Fonte: Jornal A Tarde, 30/07/2010